Região Serrana do RJ enfrenta 2º dia de calamidade causada pela chuva
As chuvas na Região Serrana do Rio deixaram 381 mortos desde terça-feira (11). Em Nova Friburgo, o número de vítimas já chega a 168. Segundo a prefeitura da cidade, 13 corpos foram encontrados na manhã desta quinta-feira (13). Mais corpos também foram encontrados em Teresópolis, onde voltou a chover por volta das 10h30, e em Petrópolis. Em Campinas, distrito de Sumidouro, a prefeitura confirmou por volta das 12h45 desta quinta, mais 13 mortos. Na região, há previsão de mais mortos e o hospital abriga vários feridos. Bombeiro soterrado é achado Imagens da Nasa mostram temporais e enchentes vistos do espaço Em Teresópolis, o número também subiu nesta manhã, passando de 130 para 161, segundo o secretário municipal de Meio Ambiente e Defesa Civil de Teresópolis, Flávio Luiz de Castro. Os corpos foram levados para o IML e a delegacia da cidade. Há ainda 1.200 desabrigados e 1.300 desalojados na cidade. Pelo novo balanço, o número de total de vítimas até as 9h desta quinta é de 168 mortos em Friburgo, 161 em Teresópolis, 39 em Petrópolis, onde a maioria das vítimas foi encontrada no Vale do Cuiabá, no Distrito de Itaipava, e 13 em Sumidouro. O acesso à Região Serrana ainda é complicado nesta manhã. Buscas por desaparecidos Choveu forte durante a madrugada desta quinta-feira (13) nos acessos a Teresópolis. Na cidade, os bairros mais atingidos, segundo a Defesa Civil, são Caleme, Posse e Campo Grande. A Defesa Civil, que ainda não conseguiu chegar ao bairro de Campo Grande, acredita que mais de duas mil casas tenham sido destruídas pela chuva e que cerca de 150 corpos estejam na região. Eles vão tentar chegar a este bairro nesta manhã. Os trabalhos de resgate em Petrópolis, que foram interrompidos durante a madrugada por falta de luz, foram retomados às 7h desta quinta. Cento e cinco homens trabalham no resgate. Cem pessoas das comunidades atingidas pelas chuvas foram contratadas para fazer a limpeza das ruas da região. A prefeitura estima que ainda haj de 40 desaparecidos na região. A chuva destruiu cerca de 1.500 residências, com isso há mais de 3 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas. No Centro de Friburgo, um das áreas mais castigadas, o comércio segue fechado. É grande o volume de lama nas ruas. Na entrada da cidade, o único posto de gasolina aberto nesta manhã tinha cerca de 50 motoristas na fila, tentando abastecer. Parte do sistema de telefonia já voltou a funcionar. Madrugada de pouca chuva Dilma e Cabral vão sobrevoar a Região Serrana O coronel Souza Vianna, comandante do 15º GBM (Petrópolis), afirmou que o trabalho de resgate foi suspenso no trecho da estrada que liga Itaipava a Teresópolis, no sentido contrário ao fluxo do Rio Santo Antônio, conhecido como Vale do Cuiabá, devido à falta de luz e à quantidade de lama. Já em Teresópolis, segundo o secretário de Meio Ambiente e Defesa Civil do município, Flávio Castro, as buscas continuam em nove dos 17 pontos atingidos pela chuva. Ele afirmou que o trabalho se intensifica nos bairros do Espanhol e Barra do Imbuí. Nas outras áreas, os trabalhos foram suspensos por falta de iluminação, e recomeçam às 6h desta quinta. O secretário estima que há cerca de 25 desaparecidos. Saiba com ajudar os desabrigados e desalojados na Região Serrana Presenciou os estragos da chuva na Região Serrana? Envie ao VC no G1 Falta de luz, telefone e transporte A infraestrutura da região foi atingida com severidade. Houve falta de luz, telefone e transporte nas três cidades. Bairros inteiros ficaram isolados e só na noite desta quarta-feira (12) equipes de resgate começaram a dar conta da catástrofe em algumas das áreas mais atingidas. Em um desses esforços, foi resgatado com vida, sem arranhões, um bebê de seis mesesde idade em Friburgo. A prefeitura designou dois abrigos para receber desabrigados: o Ginásio Pedrão, no Centro de Teresópolis, com capacidade para 800 pessoas, e um galpão no Bairro Meudon, onde podem ser alojadas 400 pessoas. Os desalojados na cidade são 1280 e os desabrigados, 960. Os bairros mais atingidos em Teresópolis foram Bonsucesso, Caleme e Biquinha. Também registraram vítimas Poço dos Peixes, Vale Feliz, Fazenda da Paz, Posse, Paineiras, Jardim Serrano, Parque do Imbuí, Granja Florestal e Barra do Imbuí, Pessegueiros e Salaquinho. Em Nova Friburgo, a maior parte das vítimas morava no bairro de Conselheiro Paulino. A chuva forte deixou a cidade sem sinal de telefonia, sem luz e sem transporte na quarta (12). À tarde, moradores perambulavam pela cidade cheia de lama sem saber o que fazer. O ginásio de uma escola estadual é usado como necrotério. Região Serrana do RJ enfrenta 2º dia de calamidade causada pela chuva
Ao todo, 381 vítimas das chuvas foram encontradas desde terça-feira.
Corpo de bombeiro soterrado na quarta foi achado nesta manhã.
Um dos corpos encontrados nesta manhã é o do bombeiro Vitor Lembo, que estava trabalhando no Centro de Friburgo, na quarta-feira (12), quando foi soterrado com mais dois colegas. Seu corpo só foi retirado dos escombros nesta manhã, sob lágrimas e aplausos. Além da família, colegas de trabalho, como o coronel Suarez, diretor-geral de saúde do Corpo de Bombeiros, e um outro agente vítima do mesmo desabamento, mas resgatado com vida, choravam.
As buscas por outras vítimas na Região Serrana contam com o apoio de helicópterosnesta quinta (13).
Durante a madrugada, uma chuva fraca atingiu as cidades de Teresópolis, Petrópolis e Friburgo, mas sem registro de novos deslizamentos. A procura por desaparecidos continuou durante a madrugada em Friburgo e Teresópolis, mas teve que ser interrompida em Petrópolis, que estava sem luz. Vários bairros da Região Serrana foram atingidos.
Na quarta-feira (12), o governador do Rio, Sérgio Cabral, pediu ajuda à Marinha no trabalho de resgate. Em resposta, a Marinha disponibilizou dois helicópteros (um Esquilo e um Super Puma) para o transporte de pessoal e equipamentos dos bombeiros. Esses helicópteros se juntam a outros cinco do governo do estado na missão de carregar equipes e equipamentos serra acima. Cabral visitará a região nesta quinta. A presidente Dilma Rousseff, que já liberou R$ 780 milhões para os municípios do Rio de Janeiro e São Paulo atingidos pelas chuvas, também vai sobrevoar a Região Serrana nesta quinta.
Oitocentos homens da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros tentam localizar desaparecidos em Teresópolis. O secretário do Ambiente do estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc, classificou a chuva como a "maior catástrofe da história de Teresópolis". “Não foi possível escolher o que ia cair. Casa de rico, casa de pobre. Tudo foi destruído”, disse a empregada doméstica de 27 anos, Fernanda Carvalho.